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Governo
10-09-2026
Fonte: CIPRA
PROVÍNCIA DE BENGUELA
Refinaria do Lobito vai ter complexo petroquímico para produzir derivados do petróleo
<p>A Refinaria do Lobito deverá contar, após a sua conclusão prevista para 2029, com um complexo petroquímico, cujo projecto já se encontra em fase de estudo.</p><p>O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol, Sebastião Martins, esta quarta-feira, 9 de Setembro, no Lobito, no final da visita do Presidente do Botswana, Duma Boko, às instalações da Refinaria do Lobito.</p><p>Na ocasião, o PCA da Sonangol falou da importância de transformar a unidade num centro industrial capaz de gerar novos produtos e actividades para além da refinação de petróleo.</p><p>A criação do complexo petroquímico deverá ampliar a cadeia de valor associada à refinaria, permitindo a produção local de vários produtos que actualmente são importados.</p><p>Sobre o estado actual das obras da Refinaria do Lobito, Sebastião Martins informou que já foram investidos cerca de 1,6 mil milhões de dólares, estando a execução física da refinaria situada em aproximadamente 26 por cento.</p><p>A visita do Presidente do Botswana permitiu constatar, in loco, o trabalho realizado e o progresso alcançado na construção da unidade.</p><p>A conclusão da refinaria vai permitir a produção de gasolina, gasóleo, gás de petróleo liquefeito (GPL), Jet A-1 e betumes, além de enxofre, que poderá ser utilizado como matéria-prima para outras actividades industriais.</p><p>Sebastião Martins explicou ainda que, até ao final de 2029, a maior parte dos equipamentos deverá estar instalada e pronta para entrar em funcionamento. Neste momento, está concluída uma parte significativa da tancagem e de outros equipamentos.</p><p>De acordo com o responsável, os trabalhos incluem igualmente a realização de testes aos equipamentos e às tubagens, utilizando água que será captada a partir do Rio Biópio, e assim garantir as condições necessárias para o funcionamento da infra-estrutura.</p><p>O PCA da Sonangol destacou igualmente o crescente interesse de potenciais parceiros nacionais e estrangeiros em participar no projecto da Refinaria do Lobito, como o Fundo Soberano de Angola, empresas privadas, bancos chineses e outras instituições financeiras.</p><p>A presença do Presidente do Botswana nas instalações da refinaria demonstra também o crescente interesse dos países da região da África Austral no projecto, disse Sebastião Martins.</p><p>GÁS NA BACIA DE BENGUELA</p><p>Durante a entrevista, o PCA da Sonangol abordou também os resultados da perfuração do poço de avaliação na Bacia de Benguela, destinada a confirmar a presença de gás.</p><p>Segundo Sebastião Martins, o trabalho permitiu confirmar a existência de gás e realizar, pela primeira vez, um teste num campo de gás considerado puro.</p><p>Para o PCA, há uma crescente importância do gás natural como matéria-prima e commodity no mercado internacional, razão pela qual a Sonangol pretende utilizar este recurso para responder às necessidades internas e, caso haja excedentes, avaliar a possibilidade de exportação.</p><p>Sobre a relação entre a actividade petrolífera e o sector das pescas, Sebastião Martins rejeitou a ideia de que a exploração de petróleo seja necessariamente incompatível com o desenvolvimento da actividade pesqueira.</p><p>O responsável disse que a experiência demonstra que, em várias regiões onde existe exploração petrolífera, a actividade pesqueira também pode crescer com o desenvolvimento de infra-estruturas e aumento da actividade económica nas zonas envolventes.</p><p>No entanto, defendeu a necessidade de se assegurar uma convivência equilibrada entre os dois sectores e a protecção dos recursos marinhos.</p><p>“Temos que ter o cuidado de conviver e não deixar que a nossa principal produção, que é o produto marinho, vá sendo danificada”, referiu.</p>