15 Outubro de 2020 | 22h10

PRINCIPAL PRIORIDADE

Presidente da República reafirma compromisso com a diversificação da economia

O Executivo não vai perder o foco naquilo que continua a ser a principal prioridade da agenda do país, como trabalhar para a reanimação e diversificação da economia, aumentar a produção nacional de bens e de serviços básicos, aumentar o leque de produtos exportáveis e aumentar a oferta de postos de trabalho.

A garantia foi dada pelo Presidente da República, João Lourenço, quando apresentava o Estado da Nação, esta quinta-feira, 15, na cerimónia de abertura da quarta Sessão Legislativa da IV Legislatura da Assembleia Nacional. 

"Isto se consegue com a definição de políticas económicas correctas e realistas e com a coragem de as implementar, corrigindo os erros e constrangimentos à medida que forem sendo identificados”, disse o Presidente João Lourenço.

O Governo, segundo o Presidente da República, dedica grande atenção, desde o início, à estabilização macroeconómica do país, com particular incidência para a consolidação fiscal, por reconhecer a necessidade de se instaurar em Angola uma economia de mercado dinâmica e eficiente. 

Para se evitar que a dívida pública entrasse numa trajectória de insustentabilidade, disse que foram tomadas algumas medidas, com destaque para a adesão à iniciativa da Suspensão do Serviço de Dívida dos países do G-20, a actualização da Estratégia de Endividamento de Médio Prazo do país e a reformulação de prioridades de certas despesas de capital, financiadas por linhas de crédito. 

Aos deputados à Assembleia Nacional e convidados, João Lourenço deu a conhecer que, no primeiro trimestre de 2020, o saldo da conta corrente da balança de pagamentos foi superavitário, no equivalente a 6,8 por cento do PIB, mesmo com a queda abrupta do preço do petróleo no mercado internacional e do surgimento da pandemia da COVID 19. 

Em relação ao mercado cambial, explicou que a introdução de um regime de taxa de câmbio mais flexível, permitiu ajustar o valor da moeda nacional às condições do mercado e manter as Reservas Internacionais Líquidas do país em níveis adequados. Em fins do passado mês de Setembro, essas Reservas situavam-se em 15,4 mil milhões de dólares, correspondendo a 11 meses e meio de importação de bens e serviços, a mais alta taxa de cobertura de importações.

O novo regime cambial permitiu igualmente reduzir o dispêndio de divisas na importação de bens e serviços. Só no primeiro semestre deste ano, indicou João Lourenço, o país poupou 300 milhões de dólares na importação de bens alimentares, ao consumir apenas 980 milhões de dólares, contra 1,3 mil milhões de dólares gastos no primeiro semestre de 2019. 

O Presidente da República referiu-se também a taxa acumulada de inflação que baixou de 41,95 por cento para 16,9 por cento entre 2017 e 2019, mas que por força da pandemia essa trajectória de redução foi interrompida, afectando assim o ciclo de produção e de circulação de bens e serviços do país. 

"A quase paralisação da economia em razão da crise pandémica, que obrigou ao confinamento forçado dos trabalhadores e restantes cidadãos para a salvaguarda das suas vidas, adiou a retoma económica, prevista para este ano”, reconheceu o Chefe de Estado, lembrando que todas as previsões anteriores à crise apontavam para um crescimento em torno de 1,8 por cento em 2020. 

Em consequência da crise pandémica, espera-se agora que o país venha a evidenciar uma taxa negativa de crescimento na ordem de 3,6 por cento.