Governo
05 Março de 2021 | 16h03

PRESIDENTE DISCURSA NO EVENTO SOBRE RECONSTRUÇÃO DE ÁFRICA NO PÓS-COVID

Sob o lema “Moldando o novo normal de África: recuperando-se mais forte, reconstruindo melhor”, decorreu nos dias 3, 4 e 5 de Março, na capital do Egipto, Cairo, o Fórum Aswan para a Paz e o Desenvolvimento Sustentável, uma iniciativa do governo egípcio.

O evento foi uma reflexão, a escala alargada, sobre o que fazer no período pós-Covid, para que as sociedades africanas se recuperem do impacto negativo causado pela pandemia.

No princípio da tarde desta sexta-feira, 5, o Presidente João Lourenço – um dos líderes africanos convidados ao fórum – discursou para, entre outras considerações, realçar a experiência de Angola na consolidação da paz e o reforço da coesão nacional, caminhos que contribuem decisivamente para o desenvolvimento económico-social dos nossos países.

Eis, na íntegra, o discurso do Presidente João Lourenço, feito por vídeo-conferência a partir de Luanda.

Excelência senhor Presidente da República Árabe do Egipto, Abdel Fattah Al Sisi;

Excelentíssimos Chefes de Estado e de Governo;

Excelências Representantes de Organizações e Organismos Internacionais;

Minhas senhoras e meus senhores.

Permitam-me, em primeiro lugar, agradecer o convite que me foi endereçado por Sua Excelência Presidente da República Árabe do Egipto, Abdel Fattah Al Sisi, para participar no II Fórum Aswan sobre o tema "Recuperação pós Covid-19: Reforçar a Paz e o Desenvolvimento Sustentável em Africa”, que se realiza num contexto internacional complexo e de grandes desafios impostos pelo impacto da pandemia do Covid-19, que afectam as sociedades e as economias a nível mundial.


Os importantes temas agendados para este encontro apelam-nos a uma resposta inovadora e ambiciosa a uma das crises mais graves que a Humanidade conhece e que atinge milhões de pessoas em todos os continentes, devido à emergência sanitária, à desaceleração do crescimento económico e, consequentemente, uma retracção do desenvolvimento humano e sustentável.

Esta situação tem provocado uma fragilização do tecido social, o empobrecimento acentuado das famílias, o aumento do desemprego, sobretudo juvenil, e a redução das oportunidades do mercado informal.

Perante este quadro, a nossa acção para o futuro necessita de respostas inovadoras e ambiciosas para enfrentar esta grande crise que, apesar da sua complexidade, pode constituir também uma oportunidade para forjar uma plataforma de acções conjunta entre as nações.


No início da pandemia, antevia-se para os países africanos um cenário de catástrofe humana sem precedentes, agravado pelas múltiplas condições de vulnerabilidades estruturais existentes, propícias a inverter os progressos conseguidos nas últimas décadas na luta contra a pobreza e na luta contra o crescimento das desigualdades sociais.

Felizmente, os países têm conseguido resistir através de medidas de biossegurança, tratamentos e cuidados sanitários, acesso aos testes e início de uma ampla cobertura de imunização através das vacinas, cujo acesso deve ser considerado como um bem público global e disponível para todos.

Senhor Presidente;
Excelências;

Reafirmamos o compromisso de Angola com a Agenda 2063 que tem como princípio o desenvolvimento sustentável, a coesão social e a paz, para encontrar soluções africanas para problemas africanos em busca da "África que nós queremos”, como refere a Carta da União Africana.

Nos últimos anos, Angola tem desenvolvido um conjunto de mecanismos inclusivos para o reforço da coesão nacional, através do envolvimento de todos angolanos no processo de construção de uma paz sustentável e duradora, capaz de trazer reflexos económicos e sociais positivos na vida de todos os cidadãos.

Apesar dos efeitos negativos causados pela pandemia da COVID-19, estamos a executar acções que visam a promoção sustentável, o desenvolvimento socioeconómico e um conjunto de políticas que têm permitido a inclusão económica e social das famílias mais vulneráveis.


Encorajamos os esforços conjuntos para a paz e a segurança regional, a continuarem como prioridades na agenda dos países africanos e, neste domínio, Angola tem vindo a desenvolver acções específicas para garantir a sua implementação efectiva através do diálogo entre os países da nossa sub-região.

A realização da segunda edição da "Bienal de Luanda-Fórum PanAfricano para a Cultura de Paz” é uma clara afirmação da confiança dos Estados na construção de novos caminhos para concretizar a cultura de paz em África, cujo compromisso Angola assume desde 2019 e que foi reafirmado recentemente na última cimeira da União Africana.

Assim, é de extrema importância o engajamento e empenho de todos os actores políticos e da sociedade civil africana na compreensão total dos desafios que enfrentamos, para que se transformem em acções efectivas na melhoria dos indicadores de desenvolvimento que propiciam o bem-estar para todas as comunidades africanas.

É neste espírito que saudamos a realização deste Fórum e convidamos todas altas entidades da política, os empresários, os intelectuais e a sociedade civil africana, a aderirem a esta grande iniciativa, para juntos enfrentarmos os desafios do futuro.

Muito obrigado pela atenção.