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Violência na África do Sul sem vítimas entre angolanos

O Presidente da República, João Lourenço, recebeu nesta terça-feira, 10, em Luanda, do enviado do homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, explicações sobre os ataques que estão a ocorrer na África do Sul.

O acto aconteceu no regresso do Presidente da República do 5.º Fórum Investir em África, que decorreu em Brazzaville. 


O assistente para as Relações Internacionais do Presidente Cyril Ramaphosa, Khulo Mbtaha, que entregou uma mensagem a João Lourenço, disse à imprensa que, apesar de Angola não ser um país vizinho, é um parceiro muito importante da África do Sul na SADC e era necessário dar explicações sobre os eventos que têm acontecido no seu país.



Khulo Mbtaha garantiu ao Presidente João Lourenço que não há cidadãos angolanos envolvidos nos eventos que estão a acontecer na África do Sul. Afirmou que a África do Sul precisa de manter boas relações com os países vizinhos e que o Presidente Cyril Ramaphosa julgou ser importante explicar, para que o Presidente João Lourenço esteja bem informado, relativamente ao que está a acontecer.



Khulo Mbtaha disse que recebeu do Presidente João Lourenço uma mensagem positiva e de encorajamento. O enviado de Cyril Ramaphosa disse que o Chefe de Estado angolano garantiu o apoio e salientou que “percebe a situação pela qual a África do Sul está a passar e está pronta para prestar todo apoio que for necessário”.



O enviado do Presidente da África do Sul disse que a situação que se vive na África do Sul está relacionada com outras causas mais profundas e citou, como exemplo, a questão do policiamento e a reacção das forças de defesa e segurança, que não conseguem atacar as causas primordiais dos levantamentos sociais.



Khulo Mbtaha reconheceu que estes ataques abalam a imagem da África do Sul e disse ter recebido o encorajamento do Presidente João Lourenço, que espera que o homólogo sul-africano consiga, rapidamente, reverter a situação.

 



“A imagem que se tem é que são ataques dirigidos apenas a cidadãos estrangeiros. Mas a questão crucial é que as forças de segurança não foram totalmente capazes de lidar com as causas basilares e as motivações das pessoas, levando o país à situação em que está”, afirmou.



Desmentido ataque a angolanos



A Embaixada de Angola em Pretória desmentiu, ontem, informações postas a circular nas redes sociais, segundo as quais o Presidente da República, João Lourenço, teria orientado o repatriamento de todos os angolanos residentes na África do Sul e o encerramento da missão diplomática naquele país, na sequência da onda de afro-fobia que se regista neste país. Segundo um comunicado, as informações são “falsas, descabidas, tendenciosas e visam desacreditar as boas relações diplomáticas, de amizade e de cooperação existentes entre Angola e a África do Sul”.



A Embaixada de Angola em Pretória garante que continua a “monitorar permanentemente a preocupante situação junto das comunidades espalhadas pela África do Sul e reafirma que não há angolanos afectados por este fenómeno” e aplaude a “pronta resposta das autoridades sul-africanas em assegurar a protecção das vítimas e responsabilizar criminalmente os autores desta onda de afro-fobia.



No comunicado, a Embaixada apela às comunidades angolanas naquele país a se manterem calmas, em permanente contacto com os líderes comunitários. Aos ilegais, aconselha a legitimarem a sua condição junto das autoridades.



JA